- A Morte é um Presente -
Em O Silmarillion,
Tolkien escreve que “a morte é um presente exclusivo concedido por
Deus à humanidade. Todas as outras criaturas invejam esse dom,
incluindo os Elfos. À humanidade, apenas por meio da morte, é
concedida a união com o divino.”
O ponto de Tolkien é
que a imortalidade, em um mundo caído, não é uma bênção – nem o
verdadeiro propósito do homem. Viver para sempre em um mundo marcado
pela corrupção, pelo vício e pela decadência é estar preso, sem
escape. A morte, então, não é um fim trágico, mas uma libertação –
um retorno da criação ao seu Criador.
Os Mestres Ascensos nos
mostram que somente o homem, por meio de uma vida digna e devotada a
Deus, alcança a união com o divino. A vida eterna só pode ocorrer
por meio dessa união, que precisa ser construída enquanto encarnado.
A humildade do homem
mortal, que se curva à Luz de seu Criador, conduz a uma glória muito
maior do que a “imortalidade” terrena. Em outras palavras, o homem
foi feito para algo maior do que o prazer mundano. A morte física é
a preparação para a eternidade.
Hoje, a humanidade
tende a enxergar isso de forma invertida. Tratam a morte como o mal
supremo e a busca por uma vida terrena infinita, como o bem
absoluto, a qualquer custo. A medicina busca manter a vida física,
nem que para isso seja preciso fazer implantes de órgãos de porcos
em humanos – as pessoas fogem da morte como se fosse o fim, e não um
novo começo.
Em culturas
influenciadas pelo budismo, como na Tailândia, a morte é vista como
parte do ciclo de reencarnações – o samsara. Rituais envolvem
monges, cânticos e reflexão. O foco é aceitar a impermanência com
alegria.
Eles resolveram o
problema do medo da morte melhor do que a maioria das sociedades
modernas. Enquanto hoje se tenta evitar, esconder ou adiar a morte a
qualquer custo, essas culturas a integram na estrutura social.
A sociedade ocidental
tenta preservar a vida indefinidamente e, ao fazer isso, perde de
vista o verdadeiro significado da vida – a elevação da consciência
ao divino.
A ciência ainda não
sabe explicar onde se encontra a consciência do ser humano. Ela não
se encontra na carne. Em geral, para a ciência, a consciência é
vista como um fenômeno emergente que pode ser medido, ao menos em
parte, por experimentos e testes de comportamento e neuroimagem,
embora sua natureza essencial ainda seja objeto de intenso debate.
Nos ensinamentos dos
Mestres Ascensos, aprendemos que a consciência é a alma do
indivíduo. A consciência é a noção de ser e estar; o senso de certo
e errado. A consciência não se limita a tempo nem a espaço, pois ela
pode se expandir à totalidade do cosmo.
A consciência humana é
a consciência que está ciente do "eu" como humano. Uma alma
limitada, mortal, caída, pecaminosa, sujeita aos erros e as paixões
dos sentidos. A sensação de não ser capaz. A impressão de que tudo é
externo a ela e nada no seu interior – teme a morte pois acredita
por pura ilusão, que é apenas carne.
Assim vemos que a alma
é a consciência do indivíduo, desperta para a realidade ou não; é a
consciência do Eu do indivíduo; a consciência viva do existir, do
ser; o princípio vital da vida; uma substância incorpórea,
imaterial, invisível, criada por Deus à Sua semelhança; a fonte
motora de todos os atos humanos.
A alma não é gerada
pelos pais terrenos, mas, sim, criada diretamente por Deus Pai-Mãe
Divinos para coabitar o corpo físico gerado pelos pais terrenos.
A alma, consciência do
indivíduo, tem a potencialidade de tornar-se imortal na Luz de Deus.
Sem a união com o Espírito Santo, a alma é mortal. Ela tem
polaridade feminina, tanto vivendo no corpo de homem quanto no corpo
de mulher, enquanto o Espírito Santo, que a vivifica, é de
polaridade masculina; daí a união alquímica. Somos Ômega para o
Espírito Santo Alfa. E o que o atrai é a atenção constante n’Ele.
Caso a alma perca as
oportunidades de, em seu livre-arbítrio, durante as milhares de
oportunidade de encarnações, encontrar a vida eterna no casamento
alquímico com o Espírito Santo, ela passará pela 2ª morte, deixando
de existir completamente.
O corpo físico é apenas
o veículo de manifestação da alma na Terra. A alma precisa escolher
se viverá para a realização material e mortal ou se viverá para
buscar a elevação de sua consciência para a vida eterna – a resposta
está em manter o foco no divino – amar a Deus acima de tudo!
A alma precisa desejar
que, na hora de sua morte física, tenha sua consciência elevada para
a vida eterna, junto a Deus, deixando finalmente a roda viva de
reencarnações.
Um homem que se recusa
a morrer fisicamente, um dia descobrirá que não tem nada pelo qual
valha a pena viver. Um mundo que teme a morte acima de tudo jamais
alcançará o bem maior, pois a vida realmente começa quando você
descobre um amor maior do que pela própria vida/carne.
“Porquanto, quem quiser
salvar a sua vida, perdê-la-á, mas quem perder a sua vida por causa
de mim, encontrará a verdadeira vida”. – Jesus Cristo
Paulo Rodrigues
Simões –
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